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"Qual é o fim desse combate? Assim indaga o pobre cérebro do homem, preocupado apenas, como sempre, com o seu próprio interesse, e esquecido de que o grande Sopro não opera no tempo, no espaço ou na causalidade humana. Liberta-te do conforto ingênuo do cérebro que se ordena na esperança de assim domar os fenômenos; livra-te do terror do coração que procura encontrar a essência na esperança."
Nikos Kazantzakis


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Quarta-feira, Outubro 17, 2007


De certo, perdi a noção da hora no meio da noite e de dia me veio atacar todo o resto sono. Insônia. A falta de oportunidade, a falta de coragem.
Todas as coisas surgindo dentro de mim, não além.

Deve ser o rumo das coisas, deve ser o destino.
Não sei.
Só sei que preciso dormir... nada mais.
(Se dormir, esqueço. Se esquecer, venço.)


:: por Beatriz :: 20:32 :: |

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007




:: por Beatriz :: 07:12 :: |


E se revelar o que mais sabe para se oprimir fosse a solução para expurgar todo o compromisso com o auto-respeito - essa terrível mania de expor o mais frágil e delicado apelo nosso e depois simplesmente acabar com ele. É a nossa má política na convivência que acaba conosco.

Não sei o por quê. Não é como falar de tristeza ou como expor dependência - mas precisamos de tanta coisa. Precisamos saber como o curso da palavra que sai de qualquer boca pode ser penoso, e que será pior ainda quando chegar aos meus ouvidos. A interpretação como esse esforço enorme da alma para se tirar o que quer. Apaga-se à todas as nuances de uma hermenêutica inconsciente. O que há de lúcido nessa alienação? Pode-se dizer que é difícil escolhermos o que sentir. Aliás, poucos são os momentos em que realmente temos um controle sobre essa força, essa máquina - um vulcão ativo - pronta para liberar intensidade. E tenho visto o mundo com tantas razões para o nosso escândalo, o potencial para a interpretação caminha para a interpretação da raiva e do abismo. É como se tudo isso que rodeia não gostasse nem um pouco de mim, tampouco dos outros. Um palco das mais infelizes tarefas da vida, sempre pior do que deveria.

As coisas ... o importante é querer entendê-las ainda.

:: por Beatriz :: 07:10 :: |

Quinta-feira, Dezembro 07, 2006




Ecce homo.


(Cansei de escrever, cansei de muitas coisas... e algumas delas tomarão sérios e largos fragmentos nas minhas resoluções de ano novo: sinto que preciso mudar algumas partes de mim e esse tipo de ação urge. A começar com a maneira de ver as coisas. Na verdade, tudo envolve três males: preguiça, comodismo e hipocrisia - devo, portanto, acabar [ou tentar acabar] com os três. Trabalhar mais. Estudar mais. Querer mais. Ser milhares de vezes mais prudente, mais decente e menos impulsiva. Brigar bem menos e nunca com as pessoas que não merecem. Saber parar de ser tão chata e impertinente. Saber começar as coisas, fazê-las bem... ter alguma atitude positiva. Saber esconder as coisas e esquecê-las definitivamente. Não sentir mais ciúmes. Não sentir mais saudades. Não sentir muita coisa que me mata. E juro que acredito que isso tudo me fará melhor. Nem que me demore em uns 10 anos... afinal, é de dignidade que eu preciso.)


:: por Beatriz :: 19:48 :: |




Os bonecos de barro
por Clarice Lispector

O que ela amava acima de tudo era fazer bonecos de barro ¿ o que ninguém lhe ensinara. ¿ Trabalhava numa pequena calçada de cimento em sombra, junto à última janela do porão. Quando queria com muita força ia pela estrada até ao rio. Numa de suas margens, escalável embora escorregadia, achava-se o melhor barro que alguém poderia desejar: branco, maleável, pastoso: frio. Só em pegá-lo, em sentir sua frescura delicada, alegrezinha e cega, aqueles pedaços timidamente vivos, o coração da pessoa se enternecia úmido quase ridículo. Virgínia cavava com os dedos aquela terra pálida e lavada ¿ na lata presa à cintura iam se reunindo os trechos amorfos. O rio em pequenos gestos molhava-lhe os pés descalços e ela mexia os dedos úmidos com excitação e clareza. As mãos livres, ela então cuidadosamente galgava a margem até a extensão plana . No pequeno pátio de cimento depunha a sua riqueza. Misturava o barro à água, as pálpebras frementes de atenção ¿ concentrada, o corpo à escuta, ela podia obter uma porção exata de barro e de água numa sabedoria que nascia naquele mesmo instante, fresca e progressivamente criada. Conseguia uma matéria clara. e tenra de onde se poderia modelar um mundo.

Como, como explicar o milagre... Ela se amedrontava pensativa. Nada dizia, não se movia, mas interiormente sem nenhuma palavra repetia: Eu não sou nada, não tenho orgulho, tudo me pode acontecer; se quiser, me impedirá de fazer a massa de barro; se quiser, pode me pisar, me estragar tudo; eu sei que não sou nada. Era menos que uma visão, era uma sensação no corpo, um pensamento assustado sobre o que lhe permita conseguir tanto barro e água e diante de quem ela devia humilhar-se com seriedade . Ela lhe agradecia com uma alegria difícil, frágil e tensa; sentia em alguma coisa como o que não se vê de olhos fechados. Mas o que não se vê de olhos fechados tem uma existência e uma força, como o escuro, como a ausência ¿ compreendia-se ela, assentindo feroz e muda com a cabeça. Mas nada sabia de si, passaria inocente e distraída pela sua realidade sem reconhecê-la; como uma criança, como uma pessoa.

Depois de obtida a matéria, numa queda de cansaço ela poderia perder a vontade de fazer bonecos. Então ia vivendo para a frente como uma menina.

Um dia, porém, sentia seu corpo aberto e fino, e no fundo uma serenidade que não se podia conter, ora se desconhecendo, ora respirando trêmula de alegria, as coisas incompletas. Ela mesma insone como luz ¿ esgazeada, fugaz, vazia, mas no íntimo um ardor que era vontade de guiar-se a uma só coisa, um interesse que fazia o coração acelerar-se sem ritmo... de súbito, como era vago viver. Tudo isso também poderia passar, a noite caindo repentinamente, a escuridão fresca sobre o dia morno.

Mas às vezes ela se lembrava do barro molhado, corria alegre e assustada para o pátio: mergulhava os dedos naquela mistura fria, muda e constante como uma espera; amassava, amassava, aos poucas ia extraindo formas. Fazia crianças, cavalos, uma mãe com um filho, uma mãe sozinha, uma menina fazendo coisas de barro, um menino descansando, uma menina contente, uma menina vendo se ia chover, uma flor, um cometa de cauda salpicada de areia lavada e faiscante, uma flor murcha com sol por cima, o cemitério do Brejo Alto, uma moça olhando... Muito mais, muito mais. Pequenas formas que nada significavam, mas que eram na realidade misteriosas e calmas. Às vezes alta como uma árvore alta, mas não eram árvores, m:to eram nada...Ás vezes um pequeno objeto de forma quase estrelada, mas sério e cansado como uma pessoa. Um trabalho que jamais acabaria, isso era o que de mais bonito e atento ela já soubera. Pois se ela podia fazer o que existia e o que não existia!...

Depois de prontos, os bonecos eram colocados ao sol. Ninguém lhe ensinara, mas ela os depositava nas manchas de sol no chão, manchas sem vento nem ardor. O barro secava mansamente, conservava o tom claro, não enrugava, não rachava. mesmo quando seco parecia delicado, evanescente e úmido. E ela própria podia confundi-lo com o barro pastoso. As figurinhas assim, pareciam rápidas, quase como se fossem se desmanchar ¿ e isso era como se elas fossem se movimentar. Olhava para o boneco imóvel e mudo. Por amor ou apenas prosseguindo o trabalho ela fechava os olhos e se concentrava numa força viva e luminosa, da qualidade do perigo e da esperança, numa força de sede que lhe percorria o corpo celeremente com um impulso que se destinava à figura. Quando, enfim, se abandonava, seu fresco e cansado bem-estar vinha de que ela podia enviar, embora não soubesse o que, talvez. Sim ela às vezes possuía um gosto dentro do corpo, um gosto alto e angustiante que tremia entre a força e o cansaço ¿ era um pensamento como sons ouvidos, uma flor no coração: Antes que ele se dissolvesse, maciamente rápido, no seu ar interior, para sempre fugitivo, ela tocava com os dedos num objeto, entregando-o. E, quando queria dizer algo que vinha fino, obscuro e liso ¿ e isso poderia ser perigoso ¿ ela encostava um dedo apenas, um dedo pálido, polido e transparente, um dedo trêmulo de direção. No mais agudo e doído do seu sentimento ela pensava: Sou feliz. Na verdade, ela o era nesse instante, e se em vez de pensar: Sou feliz, procurava o futuro, era porque, obscuramente, escolhia um movimento para a frente que servisse de forma à sua sensação.

Assim juntara uma procissão de coisas miúdas. Quedavam-se quase despercebidas no seu quarto. Eram bonecos magrinhos e altos como ela mesma. Minuciosos, ligeiramente desproporcionados, alegres, um pouco perplexos ¿ às vezes, subitamente, pareciam um homem coxo rindo. Mesmo suas figurinhas mais suaves tinham uma imobilidade atenta como a de um santo. E pareciam inclinar-se, para quem as olhava, também como os santos. Virgínia podia fitá-las uma manhã inteira, que seu amor e sua surpresa não diminuiriam.

¿ Bonito... bonito como uma coisinha molhada, dizia ela excedendo-se num ímpeto imperceptível e doce.

Ela observava: mesmo bem acabados, eles eram toscos como se pudessem ainda ser trabalhados. Mas vagamente, ela pensava que nem ela nem ninguém poderia tentar aperfeiçoá-los sem destruir sua linha de nascimento . Era como se eles só pudessem se aperfeiçoar por si mesmos, se isso fosse possível.

As dificuldades surgiam como uma vida que vai crescendo. Seus bonecos, pelo efeito do barro claro, eram pálidos. Se ela queria sombreá-los não o conseguia com o auxílio da cor, e por força dessa deficiência aprendeu a lhes dar sombra ainda por meio de forma. Depois inventou uma liberdade: com uma folhinha seca sob um fino traço de barro conseguia um vago colorido, triste assustada quase inteiramente morto. Misturando barro à terra, obtinha ainda outro material menos plástico, porém mais severo e solene. MAS COMO FAZER O CÉU? Nem começar podia! Não queria nuvens ¿ o que poderia obter, pelo menos grosseiramente ¿ mas o céu, o céu mesmo, com sua existência, cor solta, ausência de cor. Ela descobriu que precisava usar uma matéria mais leve que não pudesse sequer ser apalpada, sentida, talvez apenas vista, quem sabe! Compreendeu que isso ela conseguiria com tintas.

E às vezes numa queda, como se tudo se purificasse, ela se contentava em fazer uma superfície lisa, serena, unida, numa simplicidade fina e tranqüila.

:: por Beatriz :: 19:38 :: |


Saí, Esperança minha,
A favorecer a alma,
Que sem vós agonizando
Quase o corpo desampara.

As nuvens do termor frio
Não cobrem vossa luz clara;
Que é míngua de vossos sóis
Não render quem os contrasta.


No mar de meus enfados
Mantende tranqüilas as águas,
Se não quiserdes que o desejo
Tropece com a esperança.

Por vos espero a vida
Quando a morte me mata,
E a glória no inferno,
E no desamor a graça.

Cervantes


:: por Beatriz :: 19:35 :: |

Domingo, Novembro 19, 2006




Ela é a mulher que habita meus sonhos e me diz a verdade: senhora e dona dos privilégios da falta de alma... o corpo me resta parado, o cadáver da idéia, sem notícias de expectativas e sem opções ou guias. Sei só de uma fuga - e como fere sabê-lo. Os quadros e os retratos nas paredes. Quatro deles e todos os olhos olhando para os meus olhos: sinto-me festejada e cortejada, esmagada também, pela impressão que me é alheia. A visão dos outros e o inferno.. seremos todos nós, no mesmo quarto, uma equipe de ossos, carnes e o fluxo do sangue... trabalhando incessantemente, invocados pelo silêncio, preservados pela postura e pela distância dos tempos. O que a arte na parede demorou a construir nos anos, nos séculos, nas eras - todos os minutos de existência até o fim do artista - a vida dele se esvaiu e a obra ainda lá lembrando que existe. Ali são condensadas as esperanças, a falta de sossego, o sono, as constatações graves, a causa que deveria agir sem pretextos. Não é certo esquivar-se e não é mais fácil saber dos preços exatos aos erros na ordem das coisas.
Só há uma fuga... e como dói.
Só há a saída da arte: tenho de dar-lhe a vida inteira para possuí-la.

:: por Beatriz :: 12:01 :: |

Domingo, Novembro 05, 2006




C'est fini la torture.

:: por Beatriz :: 11:09 :: |


No, It's not true. Not even close to the truth. For people who expects the whole world to stop when everything else is falling down... for this kind of hope I used to go down on my knees and cry. Now I cannot find a single thing that's capable to reach my heart with such a strong intensity. This life does not exists, not in my dreams, not even in my head. So, I try to forget and to catch up with the good stuff life used to offer me. What's the use of crying? What's the use of crying loud when people are just deaf, inert and blind? I keep thinking about all those matters, It doesn't really affects me anymore. I can remember when I was young girl -such a silly and wonderful little girl - all the troubles were there and I really didn't care. It was not the right time, I guess. Time has come, after all, and this kind of good imagination had just run away from me. C'est la vie.

:: por Beatriz :: 11:05 :: |

Sábado, Novembro 04, 2006


Do maior sândalo, a madeira necessária para a alma. Foi ontem que vi as árvores imensas no jardim, um rio, nuvem de róseas flores na grama. Os frutos rolando no pátio e eu girando no meio de estrelas - meus 5 anos de idade - pouca vida e muita energia. Não tenho mais essa sensação, não da forma de antes, pois guardo rancor demais. Via vênus do meu quarto. Hoje não tenho mais a janela que me providenciava a vista do céu. Não acordo mais com ganas de fazer coisas novas, de buscar nova trilha, algo acabou aqui. E as pessoas que me rodeiam (com exceção de poucas e mais queridas) me cansam profundamente. Estou cansada. Só deus (seja lá como for) sabe onde foi parar o meu desejo imenso de fazer a coisa certa, de ser agradável, de ser alguém admirável. É vaidade, eu sei, mas uma vaidade sem largos benefícios: adoção de um semblante contente que respeita a vontade interna. Uma parte do ser extravagante que pairava sobre mim provou que não sirvo ainda para as coisas as quais me aplico. Se não faço o que realmente quero, não posso prestar. É uma boa maldição,um alarme, um sinal. Ainda acho que não é crime algum mudar de idéia - ainda mais quando você tem 20 anos e um monte de besteira na cabeça.

:: por Beatriz :: 11:21 :: |

Domingo, Outubro 22, 2006




Aqui: www.sonu.org.br



:: por Beatriz :: 10:49 :: |

Quinta-feira, Setembro 28, 2006




"I've been down and
I'm wondering why
These little black clouds
Keep walking around
With me

It wastes time
And I'd rather be high
Think I'll walk me outside
And buy a rainbow smile
But be free
They're all free

I look around at a beautiful life
Been the upperside of down
Been the inside of out
But we breathe
We breathe

I wanna breeze and an open mind
I wanna swim in the ocean
Wanna take my time for me
All me

So maybe tomorrow
I'll find my way home"



:: por Beatriz :: 20:41 :: |


"A ajuda que vem de onde menos se espera"

Capítulo I : O incrível poder da boa vontade

Hoje o dia me fez mudar de opinião e me deu um certo ânimo. Apesar de estar me sentindo um tanto quanto perdida (o que não é novidade), quando acho que muita coisa na minha vida está atrasada - faculdade em retardo, quase tudo por lá dando errado, crise mental, enxaqueca e o joelho - vem até mim, no meio da rua, como quem não quer nada, um sinal positivo da vida. Bem que sempre queria ter essas intuições e manter constantemente a melhor postura sugerida frente de qualquer ser humano, inclusive aquele de que menos se espera a grandeza de espírito. A mulher lá do meio da rua me tratou com tão grande carinho, que até agora não sei mais o que esperar de alguém a não ser esse complexo de bondade e boa afeição. Um gesto tão grande - gentileza - ver-se em semblante qualquer o efeito de um sorriso honesto, desses que dispensa até as desculpas da carência. A senhora foi tão gentil comigo, ela e seu esposo, em seus ofícios - meu vidro, minha janela e eles lá, sorrindo para mim como se eu fosse a maior colaboração do dia, como se tivessem de fingir. Não, foram somente meus 10 centavos e minha boa vontade. Depois disso, aquele quase descontrolado ímpeto de dar meia volta e dizer muito obrigada. Obrigada por tudo aquilo, obrigada por me virem como eu precisava ser vista, obrigada por salvarem o dia de hoje.


:: por Beatriz :: 20:06 :: |

Terça-feira, Setembro 26, 2006




Sou dono de livraria, mas nunca li James Joyce. Não por desgosto ou pela extensão: tenho medo de que seja ruim. E já se não bastasse os intelectuais destruírem minha ilusão, tenho medo de que matem a idéia do gênio que tenho na cabeça e quedo aqui resistindo inexoravelmente. Sempre que prometem felicidade, tenho medo de frustrar o meu senso. Com o amor era assim também, mas não pude evitar tê-lo entre os dentes ou na cabeça. Dono de livraria: óculos delgados, calças compridas, pele - cor sem sol -, dicionário nos bolsos. Plebeu diante de Machado de Assis e de Marcel Proust : li antes mesmo que me falassem alguma desgraça, numa fixação ofegante, como se esperasse o carrasco trazendo a notícia da morte. Sou parte da minoria dos livreiros que não são escritores frustrados, o que se é difícil de assumir ou de deduzir; apenas gosto de ler e de vê-los lá, leitores insanos... lendo ainda, perdendo os seus tempos em aventuras alheias. Nossa aventura. Aliás, é o que mais aprecio no ofício: vê-las ler, engraçado. Melhor sensação do mundo é prever as páginas de quem analisa a literatura, saber o que sentirá a mocinha que pega o grande livro pela primeira vez. O estudante e seu primeiro livro de cálculo numérico me dá a mesma euforia. Seria capaz de passar 15 dias sem nada dizer. Clássicos do xadrez, thrillers policiais, Tolstoi, vida e arte de Magritte; "dois rios no Iraque", diz um deles, muitos metros cúbicos de água, presumo, e me falam de petróleo! "L'Art est long et le temps est court". Ah, imaginação. 6.000 idiomas em todo o mundo; dentro de poucos anos, metade estará esquecida, promete uma nobre cientista das línguas.
A vida passa tão rápido lá fora... e eu nem sinto.

:: por Beatriz :: 14:08 :: |

Domingo, Setembro 24, 2006


Meu fado, meu ciúme -
injeções de desespero
e grandes aliados da dor.
A saudade toda imensa,
essa fraqueza cristalina,
irretratável nova força minha que resfresca o sofrimento.

Insuperáveis- afirmo- palavras exaustas.
Sintaxe, alento da língua, move meu pensamento em preceitos inanimados.
Nada sobra para o papel (para a virtualidade dos guias).
E, como se precisasse do tempo,
de assistir ao fado e ao ciúme,
busco o real motivo que justifique as prévias indolências.

Sempre existirá o dia do não,
e do nunca, talvez,
dia dos confiscos mentais - raiva, raiva, raiva que paralisa.
Vou-me entregar às más razões da existência,
às causas mortas,
para me recolher desse lema intocável
e criar o paralelo mundo:
" a terra volúvel da ardilosa felicidade" -
meu país das maravilhas,
meu terreno próprio de perfeitas ilusões.

:: por Beatriz :: 22:54 :: |


But it's just the price I pay
Destiny is calling me
Open up my eager eyes
'Cause I'm Mr Brightside







:: por Beatriz :: 22:32 :: |




"Esta manhã, antes do alvorecer, subi numa colina para admirar o céu povoado,
E disse à minha alma: Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?
E minha alma disse: Não, uma vez alcançados esses mundos prosseguiremos no caminho."


Walt Whitman

:: por Beatriz :: 09:11 :: |


"Are you happy now?"

Tem dias em que a gente acorda e se vê querendo pular em um filme americano inofensivo, espécie pseudo-fidedigna, como aqueles em que Nova Iorque sempre está charmosa, com seu concreto, central park e café, em sua perspectiva mais casual, cheio de gente de todos os cantos, naquela paz iningualável só por estar lá. O desmantelador das boas inocências, o mal que nos atinge inteiramente e que desgraça a beleza do mundo, onde habita este ser que nos tira o sossego? Como se fosse um morcego que sai da caverna com medo da luz, o homem refresca o temor que ele mesmo ajuda a esquivar. Conhecer o medo é útil e desmistificador. Crianças de todas as épocas (todas as crianças foram e são iguais) que fecham os olhos à meia-noite, pensando no medo para que ele se vá - essa é a inteligência maior e esquecida. Essa obsessão pelo medo, a carência completa de amplitudes e de vontades, o confinamento quase incessante das almas, um bloqueio, pois todos estão preocupados. O homem na terra como um pã, o deus infeliz, perseguindo a beleza que nunca vai ter. Quem disse primeiro que o homem é capaz de tudo nunca pensou que teria tanta razão. Capaz de tudo e não quer. A posse da razão traz aos seres desse planeta uma certa loucura - que, em um senso errôneo, anularia o sentido do pensamento. Todo ser racional, por ser assim, é capaz de toda e qualquer loucura; por ser assim, o homem que pensa se considera inabilitado para explicar tudo o que contraria, todas as disfunções, as possibilidades, a estupidez em expoentes, como se as explicar seria assumir um papel muito maior do que cabe à competência humana. Negar essa grandeza tão frágil da raça mais improvável de deuses. Está feliz agora? Na completude do dia, quando se vê nos horários da rotina, faz-se o pretendido e cai sobre as opções cabíveis? O mundo como ele é prepara as pessoas para não pensarem demais na vida cotidiana, muito menos na vida exorbitante, aquela que amplia o vínculo dos homens e entende a humanidade como fonte de sabedoria. Ao nos afastarmos da razão, de longe deixamos a tão boa loucura - a que nos dá saúde, que nos permeia todos os saberes generosos e os maiores avanços do conhecimento.

:: por Beatriz :: 08:54 :: |

Segunda-feira, Agosto 28, 2006


mil mais clichés

Cá com minhas teorias:

"A única pessoa capaz de se magoar profundamente com alguém é aquela que mais te ama - esta é a que terá maior habilidade para o perdão."

Já tentei escrever livro, fazer poema (péssimos, por sinal), ser top ten nas salas de aula, cantar em karaokê, fazer petição, ser dj, vender, dançar ballet, lutar karatê, falar latim, acordar cedo e ir andar na beira-mar (ó, céus) , emagrecer, dormir tarde, beber sozinha, fugir de casa (até a esquina), fazer muitos planos, brigar alto e bater as portas; tentei ter 14 anos quando tive, tentei ser normal, sabe, e tentei aprender várias coisas: mas nada disso vingou. Onde foi que errei tanto? As coisas não deram muito certo na minha vida - aliás, minto, até deram certo, sim, mas não da forma como deveriam para que eu fosse completamente feliz. É só que eu não tenho a mínima noção do que eu quero.

O que ainda me faz feliz são as pessoas que eu tenho na vida, as pessoas além de mim - sou um fracasso quase completo. A família maravilhosa, o namorado que é tão bom e tão amado que parece que nem existe nesse universo, os amigos anormais e os normais incrivelmente adorados por mim, hehehe. Os professores que eu tive, todas as pessoas, da moça que vendia pipoca no Santa Isabel - saudade dela - ao gato metido que mora nas escadas da centenária faculdade de direito. Blah. Outro dia, lá mesmo na faculdade, chegava atrasada e sentei, então, num daqueles bancos de madeira que introduzem o primeiro corredor lateral de lá. Olhei para a primeira janela lá de cima: professor X conversando com professor Y. Olhei para a outra janela: professor, aula e poucos alunos. A próxima ventana: gente falando, rindo, entretendo. Nos corredores, nadie. Andando por todos os cantos, percebi que todos tinham alguém e eram aptos para a comunicação, menos eu. Estava tão sozinha, tão sozinha ... e era culpa minha, pois meus amigos queridos e responsáveis tentavam absorver um pouco da boa educação pública e gratuita no andar de cima enquanto eu vagava sozinha às 08:30 da manhã daquela terça-feira. Eles estariam lá se eu pedisse, certeza, certeza. Assim como a família, o namorado, os amigos todos.

Mas não: escolhi ficar sozinha no primeiro andar... acenando para a dona margarida, querida dona margarida e seus livros de 500 páginas.

Moral da história: é sempre culpa minha quando algo dá errado. Quando alguém se magoa comigo - as pessoas são boas demais e eu simplesmente não presto. Simplesmente não presto e terei que conviver com isso... não vou me perdoar e isso é a maior prova do meu pouco auto-amor.


(Não, não. É TPM mesmo...)

:: por Beatriz :: 18:03 :: |




Le Black Rebel Motorcycle Club

:: por Beatriz :: 10:58 :: |

Quarta-feira, Agosto 23, 2006




:: por Beatriz :: 09:14 :: |

Quarta-feira, Agosto 16, 2006


É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o Sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.

Alberto Caeiro




Claes Vanitas

... em seu complexo de hamlet
e na música do violino vermelho.

:: por Beatriz :: 19:36 :: |




"There may be others
that know you longer
Who pledge their hearts to you
But there's no other
could love you stronger
Any stronger than I do
Don't refuse me, say you'll choose me
I'm yours, oh please be mine
My darlin' say I¿m your darlin'
The first, and the last in line"


:: por Beatriz :: 19:27 :: |

Segunda-feira, Agosto 14, 2006




Se a imensidão me fecha as portas e a paz,
o dia sai às 3 horas da manhã,
e não se faz nenhuma prece
nem delicadeza, não mais, mais.

Assim,
por mais que eu possa sair
desse lar, dessa saudade
por mais que eu tente e reconheça,
encurralada entre a pele e os travesseiros,
a razão não morrerá.

Então,
no esconderijo ou jargão
escondo os passos, seco os lábios
sem mais vidas,
com mais cores,
todas elas (descontrole)
dentro e fora de mim.

Por fim,
recebo olhares, trago os ares
certa de alguma promessa
negada por mim.
Recebo carinho e horrores,
a noite plena de dores,
e uma vontade de ir.


[fui]

:: por Beatriz :: 11:15 :: |

Sexta-feira, Agosto 11, 2006




:: por Beatriz :: 18:58 :: |


Honestamente [adoro os advérbios que "mentem"], o momento chama e demanda alguma atenção. Antes - quando sabia de toda a história por trás dessa fuga-, tudo me atormentava por mais que lhe virasse as costas. Hoje não me importo com tantas coisas como antigamente: com tanta tolice, com tanta minúcia supérflua. Não achei ainda a equação que explica o porquê de quando somos tão novos - mais novos ainda que hoje - criarmos tanto dilúvio no maior dos verões. Juventude se conquista. É a palavra, seus radicais e formas, sem sinônimos fáceis: juventude é a palavra única e é saudade. Porque se sou jovem, hoje, é por um motivo maior que desconheço... e quando já fugindo de mim, apresentar-se diante dos olhos meus, será tão tarde e tão inútil tentar reconhecê-lo... que só restarão as sombras e os livros de mil novecentos e sessenta e três.

:: por Beatriz :: 18:49 :: |

Quinta-feira, Agosto 10, 2006


los dos = [y el espejo]



así bailan los muertos.


:: por Beatriz :: 22:52 :: |




Na testa, nas costas, nos ombros - um contraste proposital. Fragilidade forte - forte, sim - e brusca, como o campeão que blefa, como aquele que simula a dor para saber quem verdadeiramente o tolera. Se não fosse a mesma, se ele esquecesse e reconhecesse hoje mesmo... amanhã saberia notar os erros que já passaram? Como uma sombra invisível perseguindo os passos, como a água declinando lá logo - e o barulho delicado que faz. Tanto mudei e o que é de mim já se foi pela vida, correndo dos braços para o chão, saindo de dentro da boca, pelos olhos, ouvidos, narinas... sabe-se lá o que se supera. O corpo que sofre. Sorte tem a pessoa que pode ser vista de vinte distintas formas, considerando e tendo admirada as novas partes de si mesma - renováveis a cada 5 anos.
[e ser amada pelo o que há de novo e velho nesse tempo todo]

Ser contemplada pelo o que já se foi, pelo o que se é e o que não se descreve mais nesse intervalo diante da loucura da oferta, os tantos mundos nas vitrines, tanta gente emparelhada esperando a indicação que grite: "é aquela!". Frágil e forte, boa e ruim; dubilialidade e essência. Ser todos e ao mesmo tempo - as mil vozes gritando sem perceberem.

Ser único no mundo. [testa, costas e ombros : será que ainda vale a pena acreditar que somos especiais para alguém e que isso lhe basta?]


É a utopia dos tempos modernos.



:: por Beatriz :: 22:40 :: |




A mi me gustaban los momentos en que se podría mirar directo por la ventana... yo iba siguiendo todo el movimiento de la terra, toda agitación y me sentía extraña de aquél rato pasado. Como se fuera especialísima, como se fuera una persona que deja una otra con su mentalidad en eses juegos de búsquedas por noches llenas - en todas las noches del año. En su sueño jamás estuve. Bajo la luz, nadie - ni él. Algunas palabras son más terribles que un rostro maligno. Algunas palabras me duelen mucho más que las cuchilladas y capaces de matar el espíritu - no porque son las más duras, pero porque salen siempre de una boca improbable.

Después,

toujours là...
toujours.

:: por Beatriz :: 22:18 :: |

Quarta-feira, Agosto 09, 2006




I know It's only rock 'n roll , but I like it.

:: por Beatriz :: 07:18 :: |

Terça-feira, Agosto 01, 2006




The time has come to part
So I leave you with this heart
That I thought would know your love
Til we died to float above
And you drift alone downstream
On a bed of broken dreams
And I can only know regret
At the death of all we meant

My love

:: por Beatriz :: 08:22 :: |

Domingo, Julho 30, 2006







:: por Beatriz :: 08:00 :: |

Quinta-feira, Julho 27, 2006


Até quando ele vai suportar segurar-me pelas pontas dos dedos?
Se fosse eu (on his shoes);
se fosse eu que tivesse de escutar todas as coisas,
e ver as caretas e o que elas implicam,
a falta de jeito,
a verborréia -
que vergonha, Deus.


:: por Beatriz :: 20:01 :: |

Quinta-feira, Julho 20, 2006


Eternal sunshine of the spotless mind



Ferreira Gulla - Cantiga para não morrer

Quando você for embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.




P.S.: Já é a quinta fez nessa semana.

:: por Beatriz :: 19:36 :: |

Segunda-feira, Julho 17, 2006


As costas já parecem tão mais pesadas ao ver o mundo sozinha. Eis que surge uma mancha roxa no joelho - e não me sai.Aparece essa idéia fixa na cabeça que não me larga nunca mais. Tudo parece tranquilo e, de repente, vem aquele furacão varrendo tudo: limpando as estradas, os meios, qualquer meia certeza. Tanto espaço e tanto tempo em vão, meu Deus. Agora, sozinha, estou perdida.Não poderei suportar mais um segundo de isolamento. Quedo desesperada, encurralada, cheia de raciocínio denso, restando imutável no quarto e suas paredes verdes... saudosa, amarga, desconfiada.

Antes, não. Dias e dias de ilha me faziam tão bem quanto um banho de mar às 5 horas.

Hoje, não.
[mas afinal]
hoje que importa.

:: por Beatriz :: 19:14 :: |




O demoníaco e o escuro, o moribundo e o enfermo,
Os incontáveis (mil novecentos e vintes) baixos e maus, crus e
Selvagens,
Os loucos, os prisioneiros na cadeia, os horríveis, os fétidos, os malignos
O veneno e a sujeira, serpentes, os tubarões esfomeados, os mentirosos, os disso-
Lutos;
(Qual é a parte que os maus e odiados têm
Nos esquemas da Terra?)
Girinos, coisas que se arrastam na gosma e na lama, venenos,
O solo morto, os homens maus, a escória e as horríveis podridões.

A afeição ainda resolverá os
Problemas da Liberdade;
Aqueles que se amam
Se tornarão invencíveis.


- Diz o Whitman na mesinha do lado da cama.

:: por Beatriz :: 09:48 :: |

Domingo, Julho 16, 2006




1991 - mafagafinhos

:: por Beatriz :: 09:23 :: |

Sexta-feira, Julho 14, 2006





"Mar de mágoas sem marés
Onde não há sinal de qualquer porto.
De lés a lés o céu é cor de cinza
E o mundo desconforto
No quadrante deste mar, que vai rasgando,
No horizonte, sempre venta à minha frente,
Há um sonho agonizando
Lentamente, tristemente...

Mãos e braços, para quê?
E para quê, os meus cinco sentidos?
Se a gente não se abraça e não se vê,
Ambos perdidos.
Nau da vida que me leva
Naufragando em mar de treva,
Com meus sonhos de menina.
Triste sina!

Pelas rochas se quebrou
E se perdeu aonde leva este sonho
Depois ficou uma franja de espuma
A desfazer-se em bruma
No meu jeito de sorrir ficou vingada
A tristeza, de por ti, não ser mais nada
Meu senhor de todo o sempre,
Sendo tudo, não és nada!"

Amália Rodrigues - Triste Sina

:: por Beatriz :: 18:17 :: |

Terça-feira, Julho 11, 2006


hear me tonight...



IL MARTEDÌ

Acordar devagar... acordar devagar... acordar devagar... todos os dias. Saber levantar, andar, trocar e sair do sono impertinente. Saber desfrutar a manhã morna, os seus pássaros e a brisa. Ainda sonho: droga da agonia, droga do pavor, droga do inconsciente. "Nenhuma falta faz tanto mal como a dele". O dia não deveria ser o de hoje. Como nada é perfeito, resto eu com a noite e mais os mil livros em cima da mesa... e a obrigação... e a dor de cabeça, claro.

"-Because my feeling is just so right!"


:: por Beatriz :: 19:44 :: |

Segunda-feira, Julho 10, 2006




"Não se fala de corda em casa de enforcado"

:: por Beatriz :: 20:44 :: |




Tentar colocar razão em toda análise estratégica de comportamento é uma solução falida - assim decreta a desprezível experiência dos meus poucos anos. Como se explicar racionalmente essa raiva que vem do nada? A melancolia? A saudade? A saudade, do retrocitado - tenho saudade de horas bem anteriores, imediatamente à nossa hora que sucumbe, sem nem que ao menos tenham chance de quedarem remotas e desprovidas dos defeitos que a proximidade exalta . Que falta das máculas, dos momentos falíveis, de quando a gente encontra motivos para desacreditar no resto. Perfaz-se, no entanto, um ceticismo esperaçoso, completo, iluminado. Cheio de incríveis vícios - na boa antítese - de minúcias e de heranças vinculadas aos pensamentos mais otimistas: um pensamento de felicidade. O que se expõe é o que se quer proteger. O que mais se defende com socos, palavras, barbaridades - o que mais se anima dentro de nós - é o que nos faz tremer. Ninguém lamenta a tristeza - chora-se porque a felicidade não está ali . E podem vir todas as doutrinas racionais, todos os empiristas retos, seus dados, suas estatísticas, os censos inanimados. Diante de tudo, não existe sentido, não existe. E ninguém significa nada nesse ínterim. Não se testa a vida. Ela é a conjugação imprevisível, a categoria de incapaz idealização... imprescindível, portanto, esperar e assistir nos seus braços. Acordar, depois de póstumo alarde, pra viver e acertar junto dela, errando com as armas que escolhemos. Antes disso e depois - antes da vida e depois dela - somente o escuro, a falta de mundo, um vazio, expectativas bem mudas. Para lá nós vamos (esse lugar sem razões), cedo ou tarde, quando a última luz da existência, mais rápida que o pensamento, entregar-se.

:: por Beatriz :: 20:23 :: |





Solidão é lava que cobre tudo...
amargura em minha boca,
sorri seus dentes de chumbo.
Solidão palavra cavada no coração -
resignado e mudo
no compasso da desilusão.
Desilusão, desilusão...
danço eu, dança você
na dança da solidão.

Caméllia ficou viúva, Joana se apaixonou -
Maria tentou a morte, por causa do seu amor.
Meu pai sempre me dizia, "meu filho, tome cuidado!
Quando eu penso no futuro, não esqueço o meu passado"

Quando vem a madrugada, meu pensamento vagueia ...
corro os dedos na viola, contemplando a lua cheia.
Apesar de tudo existe, uma fonte de água pura :
quem beber daquela água, não terá mais amargura.*


*Paulinho da Viola

:: por Beatriz :: 19:57 :: |

Sábado, Julho 08, 2006


HOPE # 3



Adoro essa música da rádio
[que me lembra dos 18 anos].



O resumo dos dias felizes dos meus dois últimos 12 meses,
quatro sentenças bem curtas que dizem:

"Pretend like it's the weekend now
And we could pretend it all the time
Can't you see that it's just raining
There ain't no need to go outside".

:: por Beatriz :: 21:32 :: |




Sabe aquela lata no meio do trânsito das 19 horas?
C'est moi.

(P.S.: namorado... queria você comigo agora.)

:: por Beatriz :: 21:16 :: |

Domingo, Junho 25, 2006




I am alone but adored
By a hundred thousand more
Then I said when you were the last high
And I have known love

:: por Beatriz :: 11:10 :: |

Terça-feira, Junho 20, 2006




Sem querer, caí -
não descobri ainda.
Sentada, com um dos pés no chão
[outro na caixa marrom], caí-me.
Nove horas no relógio e eu pensando :
"amanhã, como será ?",

Os mesmos ossos vão arder,
o mesmo sangue vai correr;
nascerão duas idéias trágicas e
um medo dentro da vida-
tudo pronto para justificar o fracasso da manhã primeira,
do dia que não sabe que é dia.

[só uma coisa escondida,
que nem segredo é,
traz alegria: большая влюбленность*]

"Хотя - думаю это большая влюбленность , эйфория , не любовь . ЛЮБОВЬ появляется гораздо позже со временем."*
In the course of time...

:: por Beatriz :: 21:18 :: |




There was a boy
A very strange enchanted boy
They say he wandered very far, very far
Over land and sea
A little shy and sad of eye
But very wise was he

And then one day
A magic day he passed my way
And while we spoke of many things
Fools and kings

This he said to me:

"- The greatest thing you'll ever learn is just to love and be loved in return"


:: por Beatriz :: 19:13 :: |

Segunda-feira, Junho 12, 2006




Through windows behind the sky
I wonder who you will find

:: por Beatriz :: 00:04 :: |

Domingo, Junho 11, 2006




"Na mitologia grega, os centauros [ Κένταυρος ] eram a personificação das forças naturais desenfreadas, da devassidão e embriaguez. Centauro era um animal fabuloso, metade homem e metade cavalo, que habitavam as planícies da Arcádia e da Tessália. Seu mito foi, possivelmente, inspirado nas tribos semi-selvagens que viviam nas zonas mais agrestes da Grécia. A história mitológica dos centauros está quase sempre associada a episódios de barbárie. Convidados para o casamento de Pirítoo, rei dos lápitas, os centauros, enlouquecidos pelo vinho, tentaram raptar a noiva, desencadeando-se ali uma terrível batalha. O episódio está retratado nos frisos do Pártenon e foi um motivo freqüente nas obras de arte pagãs e renascentistas. Entretanto, enquanto grupo, foram notórias personificações da violência, como se vê em Sófocles. Nos tempos helênicos se relacionavam freqüentemente com Eros e Dioniso. As representações primitivas dos centauros os mostram como homens aos quais se acrescentava a metade posterior de um cavalo. Mais tarde, talvez para realçar seu caráter bestial, só o busto era humano. Foi esta a imagem que se transmitiu ao Renascimento. "



Eis o centauro moderno.

:: por Beatriz :: 09:26 :: |




This could be destiny, oh sweetheart
I've had no sense of time since we started this thing out
I've got friends in need oh sweetheart
I'd grown lengths and lengths and lengths of love
Since we started this thing out

There is a bitter breed, oh sweetheart
They will be watching you sometimes
With their bitter hearts

But we went through with these
Oh we're shifting the heartache
We want strong summer love the most robust of blood
Just to stay awake

Combat salacious removal
Combat salacious removal

:: por Beatriz :: 09:06 :: |